Para a quinta edição do projeto Modos de Existir no SESC Santo Amaro, o enfoque da programação volta-se para o fenômeno não recente, mas cada vez mais atual, da dança que passa a ocupar outros espaços para além dos palcos e salas de espetáculos, indo ao encontro do público e intervindo em seu dia a dia, propondo novos modos de encontros com a arte.

Refletindo sobre o fato de as intervenções de dança que ocorrem cada vez em maior número em diferentes espaços das cidades, o SESC Santo Amaro convida para esta programação nove grupos de vários locais do país, que, propondo criações afinadas com seus contextos de origem, abrem através de seu fazer discussões sobre ideias como performance, ocupação, situação, site specific, instalação, zonas autonômas temporárias, comunidades criativas, terrorismo poético, entre outras formas de enquadramento para o encontro obra-público que há décadas povoam o fazer em arte contemporânea, mas que na dança ainda parecem ter sido pouco problematizadas.

Desse modo, interessa à quinta edição do projeto Modos de Existir se debruçar sobre criações e criadores que vão para a cidade, à comunidade ou à rua e em como a criação de suas obras repensam formatos, propósitos e sobretudo as relações com o público que nesses locais encontra.

Olhar para trabalhos que não se encerram em suas propostas, mas que adensam a complexidade do entorno onde vão se enquadrar é uma busca de pensar a dança em contextos amplos. Os trabalhos que compõem essa mostra de algum modo abrem questões (ou transformações) nos conceitos daquilo que entendemos por cidade, por espaço público, por espaço urbano e por espaço para dançar.

Durante toda duração desse módulo, os artistas envolvidos participarão de um espaço de prática e convívio, pensado para funcionar como uma zona autônoma temporária que mobilize o entorno da unidade Santo Amaro, abrindo outros canais de comunicação sensível com estes lugares e seus habitantes e atravessadores.

Na unidade do SESC também terão lugar apresentações artísticas e encontros para a produção de diálogos artísticos a partir das experiências dos artistas envolvidos, somando-se também a mediação de pensadores do corpo, para adensar as hipóteses presentes no fazer desses grupos, aprofundando um discurso sobre a dança que acontece em espaços inusitados.

(Paula Petreca)

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