No último post sugeri uma aproximação com o trabalho de dois coletivos que de 28 de agosto a 2 de setembro compõem a programação do Modos de Existir, Coletivos, no SESC Santo Amaro. A ideia é estimular um saber do corpo. Mas como viver essa experiência? Dá para perceber esse espaço em você? Como disse a psicanalista Suely Rolnik após a estreia de 1000 Casas, no Itaú Cultural, “visito o Núcleo do Dirceu para me salvar”. A arte pode restabelecer diálogos entre o desejo e a expressão? Uma experiência dinâmica que “destampa certas partes do Brasil”. Certas partes de nós.

Teresina, Curitiba… e agora chegamos em Recife. De lá nos fala o Coletivo Lugar Comum, formado por onze artistas. São eles: Maria Agrelli, Renata Pimentel, Roberta Ramos, Paloma Granjeiro, Luciana Raposo, Cyro Morais, Priscilla Figueiroa, Silvia Góes, Liana Gesteira, Renata Muniz e Juliana Beltrão. No dia 28 de agosto (terça-feira), às 21h, participam da Noite de Performances Corpos Compartilhados Liana Gesteira (Topografias do Feminino), Silvia Goes (OSSevaO), Maria Agrelli (Pé de Saudade) e Cyro Morais (Valsa.me). A proposta é uma noite intimista e sensorial, um espaço para compartilhar ideias e sentimentos, memórias e criações. Você já pensou no sentido panfletário da performance? Vida e obra fundidas.

De lá, partimos para Salvador, onde está o Dimenti, grupo formado por Jorge Alencar, diretor artístico e fundador; Fábio Osório Monteiro, intérprete e produtor cultural; Vanessa Mello, intérprete e assistente de produção; Lia Lordelo, dançarina, atriz e cantora; Ellen Mello, sócia fundadora e diretora de produção; Paula Lice, intérprete e dramaturga; e Márcio Nonato, intérprete e assistente de direção dramatúrgica. No dia 29 de agosto (quarta-feira), às 21h, eles apresentam Tombé, trabalho organizado em formato de palestra performativa que investe em mitos e estereótipos recorrentes na dança em suas diferentes abordagens e estilos.

Em seguida, voltamos a São Paulo para conhecer o trabalho o Coletivo O12, de Votorantim, que na mesma noite apresenta Quando se desprendem as partes, resultado da pesquisa que há quatro anos vem sendo desenvolvida pelo intérprete Thiago Alixandre. A obra traz a tona a ideia de conquista de autonomia em sistemas vivos. Questiona sobre a fatal naturalidade do desprendimento das partes face a seu amadurecimento, indaga sobre o desprendimento não natural, sobre o aborto das partes, sobre a impossibilidade de desprendimento de partes e suspende perguntas em torno de questões como prática da autonomia e permanência.

O Coletivo O12 de dança contemporânea é um conjunto de sujeitos e seus desejos que se articulam através da dança para propagar seus pensamentos artísticos e tem como seus principais compromissos a compreensão dos processos coletivos, o abrigo das particularidade dentro da coletividade, a busca pela qualidade e democratização da informação e fundamentalmente o entendimento de processos em torno de conquista e prática de autonomia em sistemas vivos. Ações que colaboram com o aumento do valor, respeito, afeto e amor são o norte para a difusão do desejos artísticos que sustentam a permanência do Coletivo O12.

Isso que chamamos de arte faz parte da sua gestualidade cotidiana? Deixe conosco o seu comentário.