Na condição de jornalista-blogueira desse Blog Santo Amaro em Rede, estive ontem no primeiro encontro provocativo do Modos de Existir, evento proposto por Villas e albergado no SESC Santo Amaro. Esta que para mim foi uma provocação inicial: um outro SESC sendo ocupado por outras danças. Para chegar lá é preciso ir na contramão do hábito, engatar novos caminhos pela cidade. E, mais ainda, rumar em direção sul… Cidade baixa? Como a dança, ao se reinventar, mobiliza em você outros modos de existência? Me diga por onde andas que te direi quem és.

Encontrei um SESC novinho em folha: restaurante, café e sua tradicional piscina a inundar o local de azul. Entrei no Espaço das Artes e lá estava Nirvana Marinho iniciando, eloquentemente, a tática do bate-papo. Já ouviram falar em cadáver esquisito? Uma espécie de telefone sem fio adaptado para o mundo das artes performáticas. Nirvana lançou o início de frase: “coletivo acaba…” a ser continuada pelas pessoas da plateia numa folha de papel sanfonada. “Acabar?!? Assim como as vidas se transformam, os coletivos, também. Tudo se transforma”, dizia uma delas.

Com Nirvana estavam Adriana Grechi, que contou sua experiência no Coletivo T1, em 2006, quando muitos deles surgiam no Brasil. “Os coletivos têm mais a ver com um levante, uma experiência de pico. Não podem acontecer todos os dias, ou não seriam extraordinários”, disse Adriana, citando Hakim Bey, autor de T.A.Z.. Michelle Moura trouxe um relato afetivo e cheio de gratidão pelo Couve Flor. “Ainda estamos acabando, não acabou”, disse a artista, que apresenta o solo Cavalo, dia 1º de setembro (sábado), às 21h.

Na plateia, Movasse, Dimenti, Lugar Comum e Núcleo do Dirceu, entre outros, buscavam respostas coletivas para perguntas em aberto. Como é que o fim se torna o começo? Como criar este novo entendimento da dança? A vitalidade da morte pode ser algo performativamente interessante? Sim, diria Dimenti, que apresenta hoje Tombé, às 21h, seguido de Quando se Desprendem as Partes, do Coletivo O12. “Coletivo não acaba, se transforma em outra coisa… mas dá um puta trabalho, ah dá…”, comentou Marcelo Evelin, via Facebook. Qual seria o seu comment para esse cadáver esquisito?