Estamos a poucos dias do início do Modos de Existir, Coletivos, projeto que de 28 de agosto a 2 de setembro reúne apresentações, encontros, workshops e debates no SESC Santo Amaro. A ideia é discutir as várias maneiras de existir da dança e como ela habita o espaço cultural. O que o traz aqui hoje, leitor-dançante?

Nesse blog, Santo Amaro em Rede — onde estou e existo –, tenho proposto auscultar o corpo (penso na Camélia) a partir da experiência artística de pessoas em estado de ajuntamento e que engatilham esse saber diariamente. Estamos nesse Brasil destampado de mãos dadas com o Núcleo do Dirceu, o coletivo Couve Flor, Dimenti, O12. Continuamos essa investigação conjunta com o Jardim Equatorial, de Thelma Bonavita. A pesquisadora e intérprete coordena Jardim Equatorial – Um Agregado deArtistas, que será apresentado no Espaço das Artes, dia 30 de agosto (quinta-feira), às 20 horas.

O Jardim Equatorial é um campo comum, que traz à tona a ideia de um “common” (pedaço de terra de uso coletivo durante a Idade Média), para se realizar cruzamentos entre conhecimentos diversos e assim “germinar”, “florescer” o novo; não a novidade, mas a potência capaz de ressignificar a arte enquanto promotora de desdobramentos e outros modos de vida e de arte. Ao lado de Thelma estão vários artistas agregados: Ana Dupas, Andrez Lean Ghizze, Caio César (produtor do Núcleo do Dirceu), Dani Spadotto, Dani Glamour, Eduardo Sene, Eidglas Xavier, Gabriela Vanzetta, Paula Borghi, Mavi Veloso e Thiago Costa. A apresentação divide a noite com Um Corpo que Causa (Dimenti), que propõe estratégias de produção de sexualidades como espaços de delírio.

Do “playground multirrelacional” de Thelma Bonavita seguimos para a Usina do Gasômetro, em Porto Alegre. O coletivo Sala 209, apresenta no dia 1º de setembro, às 21 horas, Tempostepegoquedelícia. O trabalho de Mônica Dantas, Luciano Tavares, Élcio Rossini e Eduardo Severino desenvolve-se a partir de questões de gênero e sexualidade, propondo borrar as encarnações do feminino e do masculino e interrogar, com humor, a falocracia que marca as relações interpessoais na cultura brasileira e que acaba encontrando reflexo na nossa arte. A Sala 209 tornou-se referência de espaço público para dança contemporânea da capital gaúcha em 2007. Ela nasceu dentro do Projeto Usina das Artes na Usina do Gasômetro. Atualmente a sala é encabeçada por dois grupos de expressão da dança local, Eduardo Severino Cia. de Dança e Ânima Cia. de Dança.

O solo Cavalo, de Michelle Moura (Coletivo Couve Flor), que também transita em espaços alucinógenos, precede a apresentação no mesmo dia. Assista ao vídeo produzido durante a Bienal SESC de Dança do SESC Santos, no litoral de São Paulo. Boa dança.