“Para Começo de Conversa” consiste em uma série de entrevistas realizadas com as companhias, grupos e núcleos que participam do terceiro módulo do Modos de Existir, realizado na unidade Santo Amaro do SESC–SP entre os meses de outubro e novembro de 2013. Nestas entrevistas poderemos tangenciar como cada companhia, grupo ou núcleo tem se colocado diante das questões que nortearão as seis conversas que irão compor o grupo de estudos: Outros Modos de Existir Conversando. Abaixo você poderá acompanhar um começo de conversa com a Balangandança Cia. (SP) realizada via e-mail em outubro de 2013.

A Cia. é formada como uma reunião de artistas com interesse comum em dança, criança e educação.

(Entrevista concedida por Georgia Lengos, em outubro de 2013)

Como surgiu a Balangandança Cia.? Por que permanecer como uma companhia no contexto da dança hoje?

Georgia Lengos: A Balangandança Cia. nasceu, há dezesseis anos atrás, da necessidade de investigar, refletir e produzir dança contemporânea para crianças, diante da lacuna existente no que se refere a produtos artísticos nesta área no Brasil, comprometidos com a realidade da criança e, de uma pesquisa de linguagem corporal e cênica séria e aprofundada sobre o assunto. Permanecer como uma companhia no contexto de dança hoje? Uma boa pergunta… Ainda existe esta lacuna, principalmente no que se refere a uma pesquisa aprofundada nesse sentido, e a pesquisa tem uma abrangência que antes não tinha. Além disso, é um modo de fazer singular que nos impele a continuar.

Como foi escolhido o nome da companhia? Por que Balangandança?

Georgia Lengos: Aconteceu-me este nome. Por vezes meus processos começam assim: pela ideia junto com o nome. Além disso, tem uma sonoridade que sugere movimento, assim como seu sentido que parece vir do “balanço”, movimento que nos acompanha no decorrer da vida toda. E tem dança no meio.

Como a escolha de se organizar como uma companhia aparece no processo criativo de vocês? Essa escolha tem alguma visibilidade nos espetáculos da Balangandança Cia.?

Georgia Lengos: A companhia é formada como uma reunião de artistas com interesse comum em dança, criança e educação. Sua formação pressupôs heterogeneidade de formações, o que aparece nos processos criativos e resultados; pessoas diferentes, com formações afins, mas diferentes, com idades diferentes inclusive.

Como a questão da autoria é discutida na Balangandança Cia.? A opção de ser uma companhia possui alguma relevância neste sentido?

Georgia Lengos: Pensada como um processo de criação coletivo. E cada trabalho com uma especificidade. Ao longo dos anos isso mudou também. Algo a ser discutido ao vivo… Não dá para escrever tudo, senão viraria uma “tese”… A opção de ser uma companhia não possui relevância neste sentido.

Como a Balangandança Cia. percebe sua relação com o dito mercado de dança e com as políticas públicas para a dança? A decisão de se constituir como uma companhia interfere nesse aspecto?

Georgia Lengos: A ideia de criar, pesquisar, circular e fomentar está presente como algo fundamental na companhia desde seu início, independente de editais ou do mercado. Apresentar para públicos e locais com poucos recursos técnicos também. Nesse sentido, nos inserimos em várias “frentes” ao longo desses anos: programações, editais, realização de oficinas, viagens etc. A decisão de se constituir como uma companhia nunca interferiu nesse aspecto. Essa questão de ser uma companhia nunca nos passou pela cabeça.

Como a Balangandança Cia. vê sua relação com sua cidade de origem? Como o trabalho da companhia reverbera na cidade e vice-versa?

Georgia Lengos: Reverbera intensamente. Diria que uma coisa só foi possível por conta da outra e vice-versa. No sentido da pesquisa, da viabilização de projetos e de encontro com pessoas/artistas afins.

Esta entrevista é uma ignição para os Outros Modos de Existir Conversando. Há quem diga que a conversa é uma via privilegiada pela qual o comum ganha forma.[^1] Nessa perspectiva, qual a importância de conversar sobre os modos de produção em dança hoje? Afinal, dançamos juntos?

Georgia Lengos: Para ampliar, estabelecer conexões, redes. Ganhar ou reconhecer ou afirmar força enquanto linguagem artística. Para vislumbrar outros modos de existir, pois, por vezes é complicado sustentar este a que nos propomos, principalmente por conta do contexto atual e da viabilização/profissionalização do nosso fazer, nossa práxis. Afinal, dançamos juntos???

[^1]: GIELEN, Pascal; LAVAERT, Sonja. Art and common: a conversation with Antonio Negri.