Danças possíveis

O projeto Modos de existir surgiu da percepção de que a dança vem se expandindo e ocupando outros espaços. A dança está no palco e ocupa ruas, vídeos; está nas universidades, em teses de mestrado e doutorado, livros e publicações digitais. São várias as maneiras de a dança existir.

Entender como essas escolhas são determinadas ou determinam os modos de produção é um dos objetivos desta série de encontros entre criadores e pesquisadores para compartilharem estratégias e experiências, que vêm se realizando no Sesc Santo Amaro desde 2012.

Já foram realizados cinco módulos: Coletivos (2012); Parcerias e Colaborações (2013); Cias., Grupos e Núcleos (2013); Solos (2014) e Intervenções (2015).

Em 2016, realizou-se o sexto módulo que tematizou as publicações de dança, reunindo artistas que foram objeto de estudos ou que publicaram em formato físico ou virtual, além de pesquisadores e autores destes materiais.

As categorias propostas pela curadoria de cada módulo não são estanques e excludentes, uma vez que cada produção é única, particular, singular, tanto que alguns artistas participaram de mais de um dos módulos até aqui realizados.

Mais do que simplesmente categorizar a produção, a proposta do projeto é pensar sobre as relações políticas, éticas e estéticas que caracterizam cada uma dessas singularidades, a partir dessas escolhas, e tentar cruzar estas particularidades, mapeando, assim, maneiras de pensar-fazer dança no Brasil.

Desses encontros, vários modos de pensar-fazer-produzir dança desenharam-se e se tornaram temas de debate que, por sua vez, resultaram em textos ora ensaísticos, ora poéticos, ora jornalísticos. As reverberações provocadas pelas colisões, convergências e divergências desses encontros de particularidades foram, desde o início do projeto, uma preocupação não só como registro, mas também como afirmação de outra possibilidade da dança existir.

Este material produzido agora está disponibilizado ao público na plataforma online Acervo de Dança Modos de Existir, propondo maneiras plurais de acessar o conteúdo, criando fricções, atritos, intersecções, complementações e justaposições, convidando a uma experiência singular sensorial e cognitiva a cada acesso.

Outros módulos virão, novos textos serão produzidos, reconfigurando e ativando este acervo, dando movimento às ideias e criando novas conexões.

Assim, pensar, escrever, falar de/sobre dança também se configuram como uma outra possibilidade de a dança existir.

 

Marcos Villas Boas

Concepção e coordenação do projeto Modos de Existir

2016

 

Projeto online Acervo de Dança Modos de Existir:

Eduardo Fukushiro (programação)

Rodrigo Andreolli (concepção)